André Fraga alerta para preservação de obras de arte no antigo Centro de Convenções antes de leilão
- Ascom - Vereador André Fraga

- 8 de abr.
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Equipamento reúne acervo artístico instalado no Teatro Iemanjá; edital de venda prevê demolição da estrutura após a aquisição do imóvel

O vereador André Fraga (PV) chamou atenção, durante a sessão na Câmara Municipal de Salvador desta quarta-feira, 8, para a necessidade de preservar o acervo artístico existente no antigo Centro de Convenções da Bahia, diante do processo de venda do imóvel pelo Governo do Estado. O parlamentar afirmou que a discussão sobre o destino dessas obras precisa ocorrer antes de qualquer intervenção estrutural no local.
Entre os trabalhos instalados no complexo está um grande conjunto escultórico em madeira criado pelo artista plástico, arquiteto e urbanista Celso Cunha Neto. A peça foi incorporada ao patrimônio público em 1978 e é composta por 15 módulos de madeira de cedro, distribuídos em três painéis com cerca de 5 metros de comprimento por 3 metros de altura, formando um conjunto de aproximadamente 15 metros de extensão por 3 metros de altura instalado no foyer do Teatro Iemanjá.
Além desse trabalho, o espaço abriga outras intervenções artísticas, como obras do artista Bel Borba e um painel da ceramista Dulce Cardoso, além de peças de artistas como Juarez Paraíso e Lício Peixoto, que integram o conjunto original concebido para o equipamento.
Parte dessas obras é considerada patrimônio integrado, ou seja, elementos concebidos como parte da própria arquitetura, o que exige procedimentos técnicos específicos para sua remoção e preservação. O uso de materiais como a madeira de cedro, por exemplo, demanda cuidados especializados, sob risco de danos irreversíveis.
Segundo Fraga, é fundamental que haja clareza sobre o inventário completo dessas obras, bem como informações técnicas sobre seu estado de conservação e sobre os procedimentos previstos para sua retirada ou preservação. O vereador destacou que, sem esse planejamento, existe risco concreto de perda de patrimônio cultural instalado no equipamento há décadas, agravado pelo histórico de abandono do espaço, com exposição a infiltrações, umidade e pragas.
A preocupação também é compartilhada por entidades do setor cultural. A Associação Baiana de Artistas Plásticos e Visuais (ABARVI) já se manifestou publicamente cobrando medidas como inventário imediato, desmonte técnico supervisionado e destinação adequada das obras.
Para o vereador, garantir a preservação dessas obras não é apenas uma medida técnica, mas um dever legal e institucional do Estado. Ele defende que qualquer processo de venda ou intervenção no imóvel seja precedido de transparência, planejamento e cumprimento da legislação, assegurando a proteção integral de um acervo que faz parte da história cultural da Bahia.






